MATÉRIA-PRIMA

A matéria-prima desta indústria é a beterraba sacarina, e complementarmente ramas de açúcar (açúcar bruto). A fábrica foi totalmente remodelada em termos europeus, sendo a sua capacidade de laboração (corte) de 1.000 toneladas de beterraba por 24 horas.

Dada a especificidade da matéria-prima (produto agrícola perecível), tem a mesma de ser colhida e trabalhada dentro de um determinado período.

A nossa fábrica, que produz açúcar de beterraba desde 1906, está preparada para um trabalho contínuo de 120 dias, em virtude de serem possíveis duas colheitas distintas (Inverno e Primavera) e ininterruptas, de 60 dias cada, causadas pelas nossas condições climatéricas.

RECEPÇÃO E DESCARGA DE BETERRABA

A beterraba entregue na fábrica é pesada, e é analisado o seu teor em sacarose para efeitos de pagamento. A sua descarga é efectuada a seco, sendo depois armazenada em silos.

LAVAGEM

A beterraba segue dos silos, arrastada por água, por um canal para o lavador, e deste é levada por um transportador adequado para os chamados corta-raízes, onde é cortada em tiras finas em forma de "V" chamadas aparas.

DIFUSÃO

As aparas saídas dos corta-raízes são enviadas para um aparelho chamado difusor, onde, por difusão ou osmose, o açúcar existente nas aparas passa para a água quente onde estão mergulhadas, que circula lentamente em contra corrente.

As aparas já sem o açúcar (ou sacarose) que passou para a água envolvente (suco da difusão) passam a constituir aquilo a que se chama polpa, que depois de prensada e/ou seca, constitui, um alimento de grande valor forrageiro para o gado bovino.

O suco da difusão, contendo impurezas, segue para a operação seguinte designada por depuração.

DEPURAÇÃO DO SUCO

O suco saído do difusor comporta essencialmente água, açúcar e impurezas (não açúcares). O fim das operações de depuração é o de eliminar deste suco o máximo de impurezas, o que se efectua normalmente pela adição de hidróxido de cálcio (Ca(H2O)2) e gás carbónico (CO2), além de outras operações, como filtrações, decantações e sulfitação.

As impurezas são arrastadas com o precipitado de carbonato de cálcio (Ca CO3). Esta mistura de carbonato de cálcio e impurezas chamada “escumas”, depois de lavada e retirada do fabrico, serve para a correcção da acidez dos terrenos.

EVAPORAÇÃO

O suco depurado contém, como se referiu, água, açúcar e ainda alguns não açúcares. A evaporação tem por fim eliminar em mais de 60% a água contida no suco, obtendo-se assim um suco concentrado (xarope) que é enviado para a cristalização.

CRISTALIZAÇÃO E CENTRIFUGAÇÃO

O xarope procedente da evaporação é introduzido num aparelho de cozedura (1º produto), sendo concentrado progressivamente até ficar ligeiramente sobressaturado, metendo-se de seguida uma determinada quantidade de cristais minúsculos de açúcar (sementeira).

Os cristais aumentam de tamanho, ou seja, grande parte do açúcar do xarope passa progressivamente da fase dissolvida à fase cristalina. No fim da cozedura, obtém-se uma mistura de cristais com xarope envolvente (massa cozida) que é despejada em malaxadores.

Em seguida, a massa cozida é enviada para as centrífugas onde os cristais são separados do xarope envolvente e lavados, obtendo-se assim o açúcar branco, ou açúcar de 1º produto, com cerca de 1% de humidade.

O xarope resultante desta primeira centrifugação é submetido a nova cozedura e, procedendo-se como anteriormente aquando da primeira cozedura, obtém-se açúcar (amarelo) de 2º produto que é refundido e misturado com o suco concentrado.

Por sua vez, o xarope obtido na 2ª centrifugação é submetido a mais uma cozedura, resultando desta o açúcar de 3º produto que é refundido e misturado com o suco concentrado.

Porém, o xarope que resulta da 3ª centrifugação (melaço), não pode ser submetido a outra cozedura por ser anti-económico.

O melaço é um liquido viscoso e contém, em princípio, todos os não açúcares, que a purificação de sucos não conseguiu eliminar, e açúcar que por operações normais (cozimento) não pode ser recuperado economicamente.

Cada quilo de melaço contém cerca de 0,5 kg de açúcar, sendo por nós usado como matéria-prima para o fabrico de álcool etílico, e sendo também utilizado como complemento no fabrico de rações para animais.

SECAGEM, ENSACAGEM, EMPACOTAMENTO E ARMAZENAMENTO

O açúcar branco é enviado para um aparelho chamado secador, onde circula ar quente, com o objectivo de lhe ser retirado toda a humidade.

Depois, é enviado para a secção de ensacagem em Big-bags de 1.250 kg, onde faz uma maturação de pelo menos 24horas, antes de ser armazenado.

Conforme os pedidos do mercado, os big-bags são abertos e descarregados numa tremonha vibratória munida de um elevador, que coloca o açúcar em silos de alimentação das máquinas de embalar, e de ensacar.

O açúcar pode ser ensacado (sacos de 50 Kg) e destina-se normalmente para consumo industrial.

O açúcar pode ainda ser o empacotado em máquinas automáticas que fazem pacotes de 1 kg, saquetas de 10/12 g, e o açúcar confeiteiro de 0,5 Kg, e de 10kg, que normalmente se destina ao consumo público.